Que sobrou?
Eu já não me reconheço mais. Quando olho no espelho, minha imagem às vezes me assusta. Embora o físico eu não ache tão imperfeito, é o meu olhar, aquele olhar, aquele brilho apagado, que demonstra que já não sou eu mesmo. Quase meio século... E o que sobrou de mim? Além das memórias, das histórias e das coisas que tento não esquecer? Sou um acúmulo de vida, de morte e de vontade de reencontrar. Um pouco de tudo que vivi, um tanto daquilo que perdi e muito do que ainda procuro encontrar. Ainda tenho esperança de que as coisas melhorem mais. Mas, às vezes, só consigo enxergar uma luz se apagando lá no final do túnel. Esse túnel em que nem quis entrar, mas que fui obrigado a enfrentar.