Paivinha
Há mais de trinta anos, quando atravessei pela primeira vez os portões daquele hospital psiquiátrico, eu não fazia ideia de que carregaria seus corredores dentro de mim por toda a vida. Eu era jovem, inexperiente e, como tantos outros que chegavam para trabalhar ali, conhecia muito pouco sobre a complexidade da doença mental, da dependência química e, principalmente, da institucionalização. Naquela época, eu acreditava que estava entrando apenas em um local de trabalho. Hoje compreendo que estava entrando em um universo onde milhares de vidas haviam sido interrompidas. Entre todas as pessoas que conheci, algumas jamais saíram da minha memória. Não pelos diagnósticos que receberam, mas pela humanidade que insistiam em preservar, mesmo depois de anos vivendo atrás daqueles muros. Uma delas foi Paivinha. Hoje, infelizmente, não consigo recordar seu nome verdadeiro. Não sei como foi registrado ao nascer, nem qual sobrenome herdou de sua família. O tempo apagou essas informações da minha me...