Contrariado
Até quando se esconderás de mim? Até quando te esquecerás de mim? É tão difícil compreender as barreiras entre nossos corações. Perceber a distância que nos separa, mesmo quando estamos tão próximos. Até quando terei que sorrir com tanta vontade de sair e correr, seguir em fuga, correr sem destino fixo. Eu que tento ser igual, me identifico com a tristeza em resistir a estar tão próximo. Sou acolhido, sou percebido, sou aquecido e, mesmo assim, eu sinto frio. Agora que a paz chegou, eu quero a noite, evito o dia, não sinto o sol. Esse desejo de não querer estar por perto, me esconder, faz-me aproximar das tantas cidades que sempre quis evitar. E estar sozinho não é escolha. É o que sobra depois que tudo se rompeu e o desejo de permanecer se encontra escasso. Não vejo o rastro, nem mesmo o pó, de cada passo que foi deixado, sem ter um outro caminho ao lado do oposto rumo que se traçou. E que evito para não contradizer aquilo que quis contrariar.