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injufgk

Mas seria injusto resumir a nossa história apenas à rejeição, à dor e à violência. Como já disse anteriormente, minha mãe sempre foi uma mulher de extremos. Tudo nela era intenso demais. O amor vinha em excesso, assim como a raiva. O carinho era exagerado, quase sufocante às vezes, da mesma forma que as agressões emocionais também eram profundas. Ela nunca soube viver sentimentos pela metade. E apesar de todas as feridas que carrego, eu também guardo muitas lembranças bonitas da nossa vida juntos. Existiram momentos felizes. Existiram demonstrações sinceras de amor, cuidado, preocupação e afeto. Houve risadas, proteção, dedicação e memórias que ainda hoje conseguem aquecer partes do meu coração. Minha mãe amava de forma descontrolada. Sem equilíbrio. Sem filtros. Sem limites emocionais. E talvez justamente por isso tenha sido tudo tão intenso entre nós — tanto o amor quanto a dor. O objetivo desta narrativa não é transformar minha mãe em vilã, nem apagar as coisas boas que vivemos. O q...

regricao

Aquelas palavras me destruíram por dentro. Eu já estava profundamente fragilizado. Fragilizado pela descoberta da minha sexualidade, pela dificuldade de me aceitar, pelo sofrimento do fim de um relacionamento que, para mim, tinha sido vivido com intensidade verdadeira. Fragilizado também pela culpa e pelo vazio que ficaram depois da tentativa desesperada de interromper a minha própria existência. Eu precisava de acolhimento. Precisava de proteção. Precisava que alguém me dissesse que, apesar de tudo, eu continuava sendo digno de amor. Mas a pessoa que deveria me abraçar naquele momento colocou ainda mais peso sobre mim. Em vez de cuidado, vieram acusações. Em vez de apoio, veio rejeição. Em vez de amor, veio culpa. Minha mãe transferiu para mim toda a dor, a frustração e a revolta que existiam dentro dela. E foi a partir daquele momento que a distância entre nós começou a nascer de verdade. Depois daquela conversa, alguma coisa mudou definitivamente dentro da nossa relação. A vida da m...

revelação

Na noite em que tomei os comprimidos da minha mãe, eu estava tomado por uma tristeza profunda. Não pensei em consequências, não pensei no amanhã. Eu apenas queria apagar a dor que existia dentro de mim. Tomei os remédios e, pouco a pouco, fui ficando entorpecido, distante de tudo, como se meu corpo estivesse desligando enquanto minha mente tentava fugir daquele sofrimento insuportável. Mamãe só percebeu o que havia acontecido na manhã seguinte. O dia já tinha começado quando ela entrou no quarto e viu que eu não acordava. Ela começou a me sacudir, me chacoalhar, tentando me despertar, mas eu mal conseguia responder. Meu corpo estava pesado demais por causa da quantidade de medicamentos que eu havia ingerido. Minha voz saía fraca, quase inexistente. Eu estava perdido dentro de um torpor profundo. Por uma sorte enorme, nada mais grave aconteceu. Durante alguns dias permaneci dopado, confuso, sem compreender completamente o que estava acontecendo ao meu redor. O tempo parecia lento, dista...

dor

Quando a minha puberdade começou, junto dela veio também uma descoberta silenciosa e assustadora. Aos poucos, comecei a perceber que existia algo diferente em mim. Enquanto os outros meninos pareciam seguir caminhos naturais e aceitos, eu carregava sentimentos que não conseguia compreender completamente, mas que já sabia que precisavam permanecer escondidos. Foi nesse período que entendi, ainda que com medo e confusão, que eu era gay. Durante muito tempo consegui esconder isso dentro de mim e, de certa forma, esconder também dela. Mas sempre existiam pequenos deslizes — um gesto, um jeito de falar, uma sensibilidade maior — coisas que despertavam nela uma desconfiança constante. E quando isso acontecia, vinham as agressões, as palavras cruéis e os apelidos pejorativos. Ela me chamava de “Claudinéria”, zombava da minha maneira de ser e fazia perguntas diretas sobre a minha sexualidade. “Você é gay?” Toda vez que ela perguntava, eu negava. Negava por medo. Medo da violência. Medo da reje...

inicik da fustabci

Hoje, às vezes, minha mãe me olha como quem tenta reconhecer um rosto perdido dentro da névoa. Há dias em que ela segura minha mão com carinho, mas pergunta, baixinho: — Quem é você mesmo? Então eu sorrio, mesmo com o coração apertado, e respondo: — Sou eu, mãe… seu filho. Ela me observa em silêncio, procurando dentro da memória alguma porta que já não consegue abrir completamente. E foi numa dessas conversas, enquanto eu tentava explicar a ela quem eu era, que uma lembrança antiga voltou inteira para dentro de mim. Quando eu era criança, minha mãe sempre me contou que eu era adotado. Nunca houve mentira, segredo ou descoberta dolorosa. A verdade cresceu comigo, misturada às coisas simples da vida, como o cheiro do café passado na cozinha ou o som da vassoura varrendo o quintal no fim da tarde. Ela dizia com ternura que eu tinha sido escolhido, um filho que Deus tinha colocado em seus braços. Na minha cabeça de menino, porém, tudo ganhava um ar de fantasia. Eu imaginava que existia uma...

intro

Minha mãe nunca foi uma mulher simples de definir. Talvez porque ela mesma nunca tenha pertencido a um só lado da vida. Existia nela uma intensidade que transbordava tudo: o amor, a raiva, a alegria, a dor. Nada vinha pouco. Tudo nela era excesso. Ela foi uma mulher conhecida pelo temperamento difícil, pelas explosões, pelas brigas, pela forma bruta de tratar as pessoas. Na cidade, muitos a temiam. Sua violência não era segredo para ninguém. As palavras vinham cortantes, os gestos vinham carregados de agressividade, e conviver com ela significava nunca saber exatamente qual versão dela pisaria pela porta naquele dia. Mas seria injusto falar apenas da mulher violenta, porque dentro dela também existia alguém profundamente humana, divertida e carismática. Quando estava bem, ela dominava qualquer ambiente. Contava piadas, inventava causos, fazia as pessoas rirem até perder o fôlego. Tinha uma presença forte, impossível de ignorar. As pessoas que conseguiam atravessar sua dureza e alcançar...

inicio

Hoje, às vezes, minha mãe me olha como quem tenta reconhecer um rosto perdido dentro da névoa. Há dias em que ela segura minha mão com carinho, mas pergunta, baixinho: — Quem é você mesmo? Então eu sorrio, mesmo com o coração apertado, e respondo: — Sou eu, mãe… seu filho. Ela me observa em silêncio, procurando dentro da memória alguma porta que já não consegue abrir completamente. E foi numa dessas conversas, enquanto eu tentava explicar a ela quem eu era, que uma lembrança antiga voltou inteira para dentro de mim. Quando eu era criança, minha mãe sempre me contou que eu era adotado. Nunca houve mentira, segredo ou descoberta dolorosa. A verdade cresceu comigo, misturada às coisas simples da vida, como o cheiro do café passado na cozinha ou o som da vassoura varrendo o quintal no fim da tarde. Ela dizia com ternura que eu tinha sido escolhido, um filho que Deus tinha colocado em seus braços. Na minha cabeça de menino, porém, tudo ganhava um ar de fantasia. Eu imaginava que existia uma...

parque

Hoje, às vezes, minha mãe me olha como quem tenta reconhecer um rosto perdido dentro da névoa. Há dias em que ela segura minha mão com carinho, mas pergunta, baixinho: — Quem é você mesmo? Então eu sorrio, mesmo com o coração apertado, e respondo: — Sou eu, mãe… seu filho. Ela me observa em silêncio, procurando dentro da memória alguma porta que já não consegue abrir completamente. E foi numa dessas conversas, enquanto eu tentava explicar a ela quem eu era, que uma lembrança antiga voltou inteira para dentro de mim. Quando eu era criança, minha mãe sempre me contou que eu era adotado. Nunca houve mentira, segredo ou descoberta dolorosa. A verdade cresceu comigo, misturada às coisas simples da vida, como o cheiro do café passado na cozinha ou o som da vassoura varrendo o quintal no fim da tarde. Ela dizia com ternura que eu tinha sido escolhido, um filho que Deus tinha colocado em seus braços. Na minha cabeça de menino, porém, tudo ganhava um ar de fantasia. Eu imaginava que existia uma...

existe

Minha cabeça parece um vulcão em erupção. E eu não sei mais distinguir se isso é destruição ou nascimento. Tem dias que eu sinto que vivi cem vidas dentro de uma só. E todas elas falam ao mesmo tempo. Como se existisse uma multidão dentro de mim pedindo passagem, pedindo voz, pedindo para finalmente existir fora do silêncio. São histórias demais. Dor demais. Memórias demais. E eu não tenho tempo de organizar o caos que me habita. Porque enquanto a vida acontece aqui fora, existe um universo inteiro desmoronando e se reconstruindo dentro de mim. E ninguém vê. Ninguém imagina. As pessoas olham pra mim e talvez enxerguem apenas alguém cansado. Mas eu sei que o cansaço vai muito além do corpo. É um cansaço da alma. Da mente. Da tentativa constante de transformar sentimento em palavras e nunca conseguir explicar exatamente o que existe aqui dentro. Porque como explicar uma vida inteira sem explodir junto? Como colocar em ordem lembranças que chegam queimando? Uma puxando a outra. Uma ferida...

qyem

Minha cabeça parece um vulcão em erupção. E eu não sei mais distinguir se isso é destruição ou nascimento. Tem dias que eu sinto que vivi cem vidas dentro de uma só. E todas elas falam ao mesmo tempo. Como se existisse uma multidão dentro de mim pedindo passagem, pedindo voz, pedindo para finalmente existir fora do silêncio. São histórias demais. Dor demais. Memórias demais. E eu não tenho tempo de organizar o caos que me habita. Porque enquanto a vida acontece aqui fora, existe um universo inteiro desmoronando e se reconstruindo dentro de mim. E ninguém vê. Ninguém imagina. As pessoas olham pra mim e talvez enxerguem apenas alguém cansado. Mas eu sei que o cansaço vai muito além do corpo. É um cansaço da alma. Da mente. Da tentativa constante de transformar sentimento em palavras e nunca conseguir explicar exatamente o que existe aqui dentro. Porque como explicar uma vida inteira sem explodir junto? Como colocar em ordem lembranças que chegam queimando? Uma puxando a outra. Uma ferida...

deuses

Minha cabeça parece um vulcão em erupção. E eu não sei mais distinguir se isso é destruição ou nascimento. Tem dias que eu sinto que vivi cem vidas dentro de uma só. E todas elas falam ao mesmo tempo. Como se existisse uma multidão dentro de mim pedindo passagem, pedindo voz, pedindo para finalmente existir fora do silêncio. São histórias demais. Dor demais. Memórias demais. E eu não tenho tempo de organizar o caos que me habita. Porque enquanto a vida acontece aqui fora, existe um universo inteiro desmoronando e se reconstruindo dentro de mim. E ninguém vê. Ninguém imagina. As pessoas olham pra mim e talvez enxerguem apenas alguém cansado. Mas eu sei que o cansaço vai muito além do corpo. É um cansaço da alma. Da mente. Da tentativa constante de transformar sentimento em palavras e nunca conseguir explicar exatamente o que existe aqui dentro. Porque como explicar uma vida inteira sem explodir junto? Como colocar em ordem lembranças que chegam queimando? Uma puxando a outra. Uma ferida...

Erupção

Minha cabeça parece um vulcão em erupção. E eu não sei mais distinguir se isso é destruição ou nascimento. Tem dias que eu sinto que vivi cem vidas dentro de uma só. E todas elas falam ao mesmo tempo. Como se existisse uma multidão dentro de mim pedindo passagem, pedindo voz, pedindo para finalmente existir fora do silêncio. São histórias demais. Dor demais. Memórias demais. E eu não tenho tempo de organizar o caos que me habita. Porque enquanto a vida acontece aqui fora, existe um universo inteiro desmoronando e se reconstruindo dentro de mim. E ninguém vê. Ninguém imagina. As pessoas olham pra mim e talvez enxerguem apenas alguém cansado. Mas eu sei que o cansaço vai muito além do corpo. É um cansaço da alma. Da mente. Da tentativa constante de transformar sentimento em palavras e nunca conseguir explicar exatamente o que existe aqui dentro. Porque como explicar uma vida inteira sem explodir junto? Como colocar em ordem lembranças que chegam queimando? Uma puxando a outra. Uma ferida...

Acredite

Acredite, acredite: no meio das pedras também existe um caminho e, muitas vezes, o mais bonito. Não se iluda com caminhos largos e cheios de cores. Tudo que vem fácil vai fácil. O caminho que tem pedras também tem beleza; afinal, as rosas também têm espinhos e não deixam de ser lindas nem de ter suaves aromas. Vá pela trilha do caminho com pedras. Elas lhe servirão para construir um castelo e, quando chegar lá na frente, entenderá: era o impulso para lhe fazer chegar mais longe. Parei de sentir medo quando me lembrei de quem eram as mãos que me sustentavam.

Definição

Às vezes acho que sou uma pessoa presa demais ao passado. Tenho dificuldade de deixar certas lembranças irem embora. Enquanto muita gente consegue seguir em frente sem olhar para trás, eu ainda fico revisitando ruas, rostos, vozes e situações que talvez só existam mais dentro de mim do que no mundo real. Carrego amizades antigas como se ainda fossem parte dos meus dias, mesmo sabendo que o tempo mudou tudo para todos nós. Sou sentimental demais. Coisas simples me atravessam de um jeito que às vezes nem consigo explicar. Uma música, uma estrada de terra, o cheiro de chuva, uma estrela no céu… tudo pode virar memória, saudade ou reflexão. Isso me ajuda a escrever, mas também me cansa. Minha cabeça raramente silencia. Também reconheço que sou repetitivo. Volto aos mesmos assuntos, às mesmas dores e às mesmas lembranças como alguém tentando encontrar uma resposta que talvez nem exista. Muitas vezes escrevo mais para aliviar o peito do que para produzir algo bonito. Nem sempre consigo separ...

carta

Eu estava sentado em um bar qualquer, desses onde a noite vai passando devagar entre mesas ocupadas, televisão ligada no canto e conversas misturadas ao som dos copos. Era um lugar simples, comum, daqueles em que quase nada inesperado acontece. Mas naquela noite aconteceu. Em uma mesa próxima havia algumas crianças. Enquanto os adultos conversavam distraídos, elas estavam concentradas em folhas de papel arrancadas de caderno, escrevendo com canetas coloridas e desenhando pequenos corações pelos cantos das páginas. Havia um silêncio curioso nelas. Uma dedicação sincera. Aquilo chamou minha atenção. Fiquei observando por alguns minutos até me aproximar e perguntar: — O que vocês estão escrevendo? Uma delas respondeu rapidamente: — Cartas. Sorri e perguntei de novo: — Cartas pra quem? Então veio a resposta que me atravessou de um jeito inesperado: — Pra alguém que a gente encontrar na rua. Naquele instante o bar pareceu diminuir de tamanho. Enquanto tanta gente passa umas pelas outras sem...

fabricado

Eu escrevo poesia. A maioria delas é mentira, mas é a minha forma de expressar os sentimentos que carrego dentro do coração. Quando eu bebo, e não é água que eu bebo, meus sentimentos se afloram. Eles exploram algo dentro de mim que nem eu mesmo reconheço. Acabo transformando em palavras as bobagens que carrego comigo e que talvez tenham algum significado. Às vezes para mim, às vezes para ele, às vezes para você que está lendo agora toda a bobagem ou toda a verdade que acabei de expressar. Poesia é arte. Poesia é descarte. Poesia é fuga. Pode ser apenas um devaneio, um momento de estresse, um instante de verdade ou de mentira. É algo que carrego na alma e expresso com calma para quem quiser compreender.

redação

Há dias em que a vida passa por nós sem deixar vestígios. Dias comuns, secos, repetidos. Mas existem outros em que algo muda no ar, mesmo que quase nada aconteça de extraordinário. E hoje foi um desses dias. Eu escrevo muitas coisas. Às vezes são pensamentos dispersos, fragmentos soltos, observações sem rumo aparente. Coisas que nascem do trânsito da vida, do movimento das pessoas, das vozes ao redor, dos silêncios também. Tenho o hábito de observar o ambiente como quem tenta escutar aquilo que não foi dito. Percebo gestos, olhares, pequenos acontecimentos. É como se o mundo, de alguma forma, se traduzisse dentro de mim. Hoje, por exemplo, limparam a mesa onde eu estava. Naquele instante achei que fosse um sinal de encerramento, um convite silencioso para ir embora. Pensei: “acho que chegou a hora de partir”. Mas depois percebi outra coisa. A mesa não estava sendo limpa para que eu saísse. Estava sendo preparada para que eu continuasse. Para que eu permanecesse ali mais um pouco. E fiq...

30

“30 cervejas, 5 cigarros… e continuo vivo. Gosto de relatar as coisas que acontecem ao meu redor. Hoje foi uma noite agradável. Uma daquelas noites em que consegui contribuir e, ao mesmo tempo, fui acolhido de volta. Houve coisas boas, houve coisas ruins, mas tudo fazia parte daquilo que a vida entrega sem pedir licença. Hoje a vida me deu a oportunidade de estar entre pessoas estranhas, mas estranhamente parecidas. Pessoas com dores, desejos e histórias diferentes, mas com algo em comum que compartilhamos de forma sincera e satisfatória. E aqui estamos nós. É normal? Talvez não. Mas foi verdadeiro. E isso basta. Boa noite, boa noite, boa noite… porque aqui as pessoas se cumprimentam, se entendem, se reconhecem no olhar. Cada um carrega sua frustração, sua ilusão, sua vontade de continuar vivendo e fazer com que o dia tenha valido a pena. Depois da labuta, depois da luta diária, chega a hora de descontrair, respirar um pouco e tentar dormir mais leve, para enfrentar o próximo amanhecer...

Proporção

Se eu falar que está fácil, eu minto. Se eu falar que está difícil, também minto. Se eu disser que está bom, é mentira. E se eu disser que está ruim, é uma mentira maior ainda. Então, como está? Desvenda esse mistério… Porque eu mesmo não sei responder. A única coisa que posso dizer é que hoje estou cansado. E não existe resposta para essa exaustão que me desequilibra, me tira o chão. Se eu falar que está fácil, então me desminta. Porque sei que o difícil depende da proporção.