centrifuga
Era noite já. A casa em silêncio, mas não totalmente. No fundo, a centrífuga trabalhava firme, girando os cobertores recém-lavados. Um barulho pesado, ritmado, quase hipnótico… como se fosse o coração da casa batendo mais forte naquele momento. — Viu, filho? — Que foi, mãe? — Eu quero te falar uma coisa… deixar bem claro pra você. — Pode falar. Ela ajeitou o corpo na cadeira, olhou pro nada por um segundo e soltou: — Às vezes você me vê saindo, né… indo pra lá, pra cá… mas eu quero que você saiba: nenhum homem põe a mão em mim. A centrífuga acelerou, o som crescendo, ocupando o espaço entre eles. — Fica tranquila, mãe… — Não… eu quero que você entenda direito — ela insistiu. — Eu não quero casar. Não deixo homem se aproximar. Lá onde eu vou, eu fico de um lado… eles ficam do outro. O barulho continuava, firme, como se acompanhasse cada palavra. Ele ficou quieto por um instante, depois respondeu com calma: — Eu sei. Eu confio na senhora. Ela virou o rosto, encarou ele. — Tem certeza? — ...