Escolhas
Todos os dias temos que fazer escolhas. E isso começa antes mesmo da gente levantar da cama. Tem o instante em que o corpo acorda, mas a cabeça ainda fica ali, negociando com o tempo. Levantar ou ficar mais um pouco. Fazer ou adiar. Ir ou não ir. Parece pequeno, mas é nesse pequeno que o dia inteiro começa a ser desenhado. A vida vai sendo isso, uma sequência de decisões silenciosas. O que comer, o que vestir, o que resolver primeiro, o que deixar passar. E a gente vai indo, quase sem perceber, acreditando que está no controle. Mas há quase um ano esse controle mudou de lugar dentro da minha casa. Minha mãe está comigo. E não é mais aquela presença autônoma de antes. Ela começou a se perder em coisas simples, depois em coisas mais complexas, até que chegou um ponto em que a realidade dela deixou de ser segura. Não foi uma virada brusca. Foi um desgaste lento, que a gente vai tentando explicar, até não ter mais como. Hoje, ela depende de mim pra quase tudo que envolve decisão. E isso nã...