perdido
Houve um tempo em que eu acreditava, sinceramente, que a vida era longa demais para acabar rápido. O futuro parecia um território inesgotável. Eu ouvia Legião Urbana cantar que “temos todo o tempo do mundo” e aquilo não parecia poesia. Parecia verdade. A juventude possui essa ilusão bonita e perigosa de que os dias nunca terminam. A gente vive como se o amanhã estivesse garantido, como se sempre houvesse outra chance esperando pacientemente mais adiante. Naquele tempo, o relógio existia apenas como detalhe. As horas não pesavam nos ombros. Os sonhos eram leves. Viajar era questão de escolher o destino. Rever amigos dependia apenas de combinar um sábado qualquer. Amar parecia algo permanente, quase indestrutível. Até a tristeza passava rápido, porque a própria vida tratava de distrair a gente antes que a dor criasse raízes profundas. Eu caminhava pela existência como alguém que atravessa um quintal enorme, sem medo de encontrar o muro. Mas o tempo é silencioso. E talvez esse seja o seu ...