raios
Caminho por um campo aberto, um pasto verdejante que parece não ter fim. A relva toca meus tornozelos com suavidade, como se reconhecesse minha presença. À minha frente, uma colina se ergue em silêncio, e acima dela o céu começa a se transformar. Ainda é dia, mas o dia já não se sustenta inteiro. O sol, cansado, se inclina no horizonte, espalhando tons quentes que escorrem pela paisagem. Estou sozinho. E, ainda assim, não há solidão. Caminho sem pressa, como quem não precisa chegar. O vento passa leve, carregando um cheiro de terra úmida e algo que me escapa à memória, mas que me conforta. Aos poucos, a luz do dia vai cedendo espaço à noite que se aproxima sem ruído, sem anúncio. Apenas acontece. E então eu percebo. Primeiro, um ponto tímido de luz, quase imperceptível, surgindo do chão. Depois outro. E mais outro. Pequenos brilhos começam a despontar sob meus pés, como se a terra respirasse luz. São como vagalumes, mas não vêm do ar, vêm de baixo, da própria superfície que piso. Amare...