Pipil
Hoje cheguei em casa e ela não me reconheceu.
Estava paralisada, sem controle, sem nenhum movimento.
De certa forma, eu a escolhi.
Quando Lana partiu, eu simplesmente decidi: quero outra em seu lugar.
Mas é claro — ninguém substitui ninguém, nada substitui nada.
Ela chegou, conquistou seu espaço
e, aos poucos, me conquistou.
Da pequena criatura que era, foi se desenvolvendo, crescendo…
e me amou.
E, da mesma forma, eu a amei.
Eu chegava em casa — ou melhor, tentava chegar —
e ela já me aguardava.
De uma forma escandalosa, me recepcionava.
Eu esperava silêncio,
para não chamar atenção,
mas ela não disfarçava.
Fazia sua algazarra, me denunciava ao mundo.
Ela era assim:
Pequi. Pequi de Goiás.
Na verdade, seu nome nasceu de um carinho:
pequitita, pequiquita… Pequi.
Porque ela era tão pequenininha, tão bonitinha…
com seu rabinho balançante, ventilante, vibrante.
Não havia outro nome possível.
E hoje aconteceu.
Cheguei em casa,
e ela não me recebeu.
Fui até a sua casinha
e percebi: ela tremia.
Seus olhos estavam parados,
sua pele, fria.
Enrolei-a em um cobertor
e corri até o socorro mais próximo.
Lá, me disseram que, possivelmente, ela não sobreviveria.
Fiquei ao lado dela por um tempo.
Relembrei o pouco — e, ao mesmo tempo, tudo — que podia.
Depois voltei para casa,
ainda esperando…
que fosse ela, novamente, a me receber.
Mas não houve recepção.
Não houve algazarra,
não houve rabo abanando,
não houve sorriso.
Ela sorria…
E agora eu não sei como vai ser.
Não sei o que vai acontecer.
Porque ela se encontra em um momento delicado,
não está ao meu lado,
e eu espero apenas a notícia —
certamente ruim.
Mas eu estou preparado para ela.
Para a melhor solução.
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