Sem lar
Eu quis voltar para casa, dormir em meu próprio colchão, sentir o cheiro das flores, ser recebido com emoção. Mas o lar não me acolheu, nem mesmo me reconheceu. O brilho nos olhos se apagou, não expressou satisfação com o encontro esperado que não chegou. E quando abri o portão, pouca coisa me restou. Quis voltar, ser novamente a criança, ter uma fatia de amor, um pouco de esperança. Mas não encontrei. Procurei me esconder no abrigo que julgava seguro, mas ali permaneci, achegado à dor e à opressão. Longe do conforto e do carinho, e do pouco de proteção que desejei, agora quero fugir.