Transe

Por esses dias, eu procurei encontrar um lugar seguro. Eu busquei no toque uma sensação de acolhimento. Eu tentei entregar tudo que eu tinha para tentar receber um pouco de compreensão. Eu fechei os olhos, me despojei por completo e quis encontrar no toque um pouco de acolhimento. A tentativa foi boa, a proposta era honesta, mas o meu corpo se deteve a prestar atenção nos arredores e por esse motivo eu não me entreguei, não me senti acolhido, eu me comportei de uma forma que nem mesmo eu esperava. Recebi o contato que eu queria, mas havia uma barreira que não deixava transcender aquela fina camada que facilmente deveria ser rompida. O que talvez tenha me protegido, me deixou em um lugar escondido e sozinho, que eu não queria estar. Eu gostaria que as barreiras tivessem sido rompidas, que o meu desejo tivesse sido acolhido, sentido talvez. Foi uma tentativa frustrada. Todas as técnicas foram empenhadas, mas nenhuma delas atingiu o seu objetivo. Não houve uma culpa, nem mesmo um condenado. Houve apenas um desencontro porque a correria da vida não me permitiu entregar-me por inteiro. E por esse motivo, aquele momento não foi vivo. Fez com que eu me despertasse, me sentindo invadido e incompleto. Como se o rio tivesse passado e eu não tivesse me jogado em seu leito. Mesmo com o corpo cheio de amor, com a alma cheia de calor, não pude me refrescar. E isso me deixou completamente insatisfeito.

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