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Mostrando postagens de julho, 2026

Riquezas

Tenho muito orgulho das coisas que conquistei. Não falo de riquezas, nem do acúmulo de bens, dessas coisas que o mundo costuma considerar tão importantes. O que hoje me alegra é saber que, quando me deito na cama em uma noite fria de inverno, ela me acolhe. O edredom me envolve e eu já não sinto o frio de antes. O vento que atravessava as frestas do telhado e entrava pelas janelas cheias de buracos já não corta o quarto nem o corpo. Minha casa, por mais simples que seja, me protege. A noite deixou de ser tão cruel. Outra coisa que enche meu coração de alegria é perceber que pessoas que fizeram parte da minha vida também não carregam mais essa mesma dor. Houve um tempo em que o prato era vazio e a lágrima, mesmo silenciosa, insistia em cair. Hoje vejo muitos daqueles que caminharam ao meu lado vivendo uma realidade diferente. Já não passam fome, já não sofrem com o frio. Encontraram abrigo, dignidade e um pouco mais de paz. É claro que ainda há muito a melhorar. Ainda existem dores que ...

Tempo e dor

Meu espírito padece com uma lança fincada em seu âmago. Meu coração inquieto se depara com disparos que me arrancam o fôlego, desidratam meu corpo em lágrimas que embebem o travesseiro, já incapaz de suportar todo o lamento que se repete, dia após dia. O mesmo clamor. O mesmo amargor que tritura a alma em incontáveis fatias. Ninguém ouve os gritos silenciosos. Nada ampara. O corpo ferido não se cura. A noite não compreende aquilo que o dia gerou. Seria tudo apenas uma breve ilusão? A força que o tempo exerce é incapaz de curar? Seria a dor algo passageiro que tarda a findar? O que fazer com as sobras acumuladas? A resposta existe, mas a decisão não se apresenta. Estagnado, permaneço na convicção de que tudo é passageiro. Pois já superei o insuperável, que se tornou suportável depois que tudo passou.