A Lua

A lua estava lá,
sempre esteve.

Crescente,
metade clara,
metade escura.

Ela não brilha sozinha;
apenas devolve a luz que recebeu,
na direção que consegue,
porque a luz não faz curva,
não envolve,
apenas atravessa.

E, onde encontra barreira,
reflete.

Talvez sejamos assim também.

Recebemos luz de fora,
devolvemos aquilo que conseguimos.

Temos nosso lado escuro,
onde a luz ainda não tocou,
mas talvez seja porque nem toda luz
nos alcança por igual.

Hoje eu olhei para ela
depois de muito tempo.

Ela estava lá,
esperando,
como sempre esteve.

O apagado era eu.

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