Exatamente igual

De vez em quando, me pego fazendo exatamente aquilo que sei que não deveria fazer. Talvez seja o tempo em excesso. Talvez a falta de um objetivo, de algo que ocupe a mente e dê sentido aos dias. Ou talvez seja apenas um vazio que insiste em pedir para ser preenchido, mesmo sabendo que escolho sempre a pior maneira de fazê-lo.

Cada gesto parece uma repetição. Cada escolha já vem acompanhada das mesmas respostas, das mesmas consequências. Chega um momento em que já não existe surpresa. Faço sem esperar nada diferente, como quem apenas cumpre um roteiro que conhece de cor.

Talvez isso seja uma forma de desistência. Ou talvez seja justamente o contrário: a esperança teimosa de que, repetindo o mesmo erro, em algum momento ele produza um resultado diferente. Eu sei, é uma contradição. Mas o ser humano também é feito delas. É nelas que tentamos ressignificar as nossas tolices, sobretudo aquelas que insistimos em repetir.

E qual é o resultado?

Quase sempre o mesmo. Muda um detalhe aqui, outro ali, mas a essência permanece. A surpresa perdeu a fórmula. Já não encontra espaço para acontecer. E, quando percebemos isso, o que mais pesa não é o erro em si, mas a estranha sensação de seguir por um caminho cujo destino já conhecemos, mas que continuamos percorrendo assim mesmo.

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