Dois passados
Fazia tempo que eu não olhava para o céu.
A lua estava lá,
crescente,
metade escura,
porque a luz não contorna;
ela apenas atravessa e reflete.
A estrela que eu vejo talvez já não exista.
O que vejo é um passado.
E ela, olhando para mim,
ainda não me viu nascer.
Somos dois passados se encontrando
num instante que insiste
em se chamar de agora.
Talvez seja isso que nos torne atemporais.
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