Faíscas

Vi as faíscas subindo do fogo,
pequenas, rápidas.
Algumas mal nasciam
e já se apagavam.

Outras subiam mais alto,
dançavam com o vento
e davam a impressão
de que brilhariam para sempre.

Mas todas, cedo ou tarde,
perdiam a luz.

Nenhuma escolhe sua altura.
Nenhuma escolhe seu tempo.

O vento decide,
o fogo decide,
e a faísca apenas sobe,
brilha o quanto pode
e se apaga.

Eu também sou faísca.

Não escolho tudo,
não controlo o vento,
não sei até onde vou subir.

Mas, enquanto durar o brilho,
que seja brilho de verdade.

E, quando eu me apagar,
que não seja retorno;
seja transformação.

Faísca virando parte
do todo
que ainda não sei nomear.

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