Gota e mar
A onda se ergue.
Quando quebra, vira gota.
Sobe, brilha, cai
e volta para o mar.
Não escolhe como subir.
Não escolhe quando descer.
Apenas cumpre o tempo breve
entre desprender-se
e voltar.
Penso nisso
e nela me vejo.
Uma vida inteira
cabendo em um intervalo,
entre o sopro que me ergueu
e o abraço que me espera de volta.
O oceano não pergunta
quanto tempo a gota vai durar.
Apenas espera,
paciente,
sabendo que tudo
volta a ser
uma coisa só.
Talvez, em breve, eu também volte.
Talvez, no fim,
eu não seja mais a gota.
Seja mar de novo,
inteiro,
sem nome,
sem separação.
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