Um papo com Danilo
Isso foi uma indireta?
Foi, sim.
Não pode?
Pode… mas exige coragem.
Você está solteiro?
Estou solteiro. E distante.
Distante de quê?
De quase tudo que um dia fez sentido.
Qual é a sua idade?
A que você gostaria que eu tivesse?
A sua.
Eu queria ter a sua, mas carrego a minha.
E qual é a minha?
Não sei ao certo. Só sei que é menor que a minha.
E ser mais novo tem alguma vantagem?
Talvez o tempo.
Quanto tempo você precisa?
Não muito. Desde que seja bem vivido.
Se pudesse mudar duas coisas hoje, por mágica, quais seriam?
Traria de volta a lucidez da minha mãe, perdida no labirinto do Alzheimer.
E a outra?
Restauraria meu corpo ao que era aos vinte e cinco anos. Mas manteria a mente de agora.
Eu entendo. Porque pediria as mesmas coisas.
O tempo que vivi é maior do que o tempo que ainda tenho.
Lucidez. Aquela idade.
E saúde para nossas mães.
Afinal, quantos anos você tem?
Trinta e dois.
Dizem que é uma das melhores idades da vida.
Para mim, foi o auge.
E você, o que mudaria na sua vida?
Duas coisas apenas.
Quais?
Uma renda fixa, duas casas de aluguel.
E saúde mental para conquistar o resto.
Suas vontades não precisam de mágica. São possíveis.
As minhas, não. Nenhuma mágica alcança.
Eu poderia ter pedido algo mais extraordinário…
Mas escolhi o que cabe no chão.
Você está solteiro?
Sim.
Então… aquilo foi mesmo uma indireta?
Compreendeu?
Um papo entre Danilo e eu.
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