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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

Em cena

Às vezes me pergunto o quanto sou solitário e quais são as fugas que uso para preencher o vazio. Encho a mente com promessas, tentando manter estável a sanidade. Pego o carro, viro a esquina, ando na contramão, sempre em busca de uma emoção, mas ela não me atinge. Veja bem: o desejo de permanecer me restringe. Eu me distraio com distrações levianas. Comparo-me com as pessoas e quase sempre percebo que não sou equiparável. Às vezes me sinto maior, outras vezes menor, mas sei que, no fundo, somos todos iguais. Tento manter o equilíbrio, tento fazer tudo certo, mas sempre me decepciono com as escolhas que faço, com os caminhos que percorro e com o destino que traço. Eu sempre me traio. Ando no escuro. Ouço meus próprios passos me seguirem, perseguindo aquilo que sou, porque já não aceito nem compreender, nem mesmo saber o que ainda posso fazer para me satisfazer e me sentir um tanto melhor. Já tentei ser poeta. Já tentei ser atleta. Não consegui. Já escrevi uma música, já pensei em fazer ...

Vestígios

Tem coisas que não nos cabem mais, não se encaixam, ficaram para trás. Há outras que nos perseguem, invadem a alma, tiram a calma, nos desconcertam e nos fazem tocar o infinito. Aquilo que está tão distante, tão difícil de entender, mas que faz parte, faz falta, mesmo sem reconhecermos toda a sua intensidade. Eu mesmo já não me reconheço. Vejo apenas vestígios de realidades que não sei mais nomear. Guardo algumas sensações. E, vez ou outra, retorno a elas para não deixar morrer o pouco de compaixão que ainda carrego no peito. Algo que preciso cultivar para que não se perca, para que não deixe de ser memória. Aquilo que devo cultivar para nunca esquecer.

Du

Não sei se, na correria da vida, as pessoas ainda têm tempo para essas bobagens simples, como parar um instante para pensar no passado. Eu, de vez em quando — quase sempre — penso muito nas coisas que ficaram para trás. Hoje eu estava distraído em meus pensamentos quando tocou uma música. E, sem pedir licença, você veio nitidamente à minha cabeça. Sabe aquelas lembranças boas, cheias de carinho e amor, com gosto de amizade verdadeira? Daquelas que a gente quase nunca mais encontra e que, possivelmente, nunca mais esbarram em nosso caminho? Foi exatamente isso que me aconteceu. Tive até que parar o carro que dirigia para escrever sobre você. Porque há um carinho que precisa ser dito. Um afeto que existe em mim agora e que sei, com certeza, nunca morrerá. Tem coisas. Tem pessoas. Tem momentos que permanecem vivos em nossa memória — e dos quais faço questão de lembrar, de guardar e de falar. Por isso falo, ainda que minha voz quase não tenha som. Ela se resume em palavras escritas, que dã...