Em cena
Às vezes me pergunto o quanto sou solitário e quais são as fugas que uso para preencher o vazio. Encho a mente com promessas, tentando manter estável a sanidade. Pego o carro, viro a esquina, ando na contramão, sempre em busca de uma emoção, mas ela não me atinge. Veja bem: o desejo de permanecer me restringe. Eu me distraio com distrações levianas. Comparo-me com as pessoas e quase sempre percebo que não sou equiparável. Às vezes me sinto maior, outras vezes menor, mas sei que, no fundo, somos todos iguais. Tento manter o equilíbrio, tento fazer tudo certo, mas sempre me decepciono com as escolhas que faço, com os caminhos que percorro e com o destino que traço. Eu sempre me traio. Ando no escuro. Ouço meus próprios passos me seguirem, perseguindo aquilo que sou, porque já não aceito nem compreender, nem mesmo saber o que ainda posso fazer para me satisfazer e me sentir um tanto melhor. Já tentei ser poeta. Já tentei ser atleta. Não consegui. Já escrevi uma música, já pensei em fazer ...