Em cena

Às vezes me pergunto o quanto sou solitário
e quais são as fugas que uso para preencher o vazio.
Encho a mente com promessas,
tentando manter estável a sanidade.
Pego o carro, viro a esquina, ando na contramão,
sempre em busca de uma emoção,
mas ela não me atinge.
Veja bem:
o desejo de permanecer me restringe.
Eu me distraio com distrações levianas.
Comparo-me com as pessoas
e quase sempre percebo que não sou equiparável.
Às vezes me sinto maior,
outras vezes menor,
mas sei que, no fundo, somos todos iguais.
Tento manter o equilíbrio,
tento fazer tudo certo,
mas sempre me decepciono
com as escolhas que faço,
com os caminhos que percorro
e com o destino que traço.
Eu sempre me traio.
Ando no escuro.
Ouço meus próprios passos me seguirem,
perseguindo aquilo que sou,
porque já não aceito
nem compreender,
nem mesmo saber
o que ainda posso fazer
para me satisfazer
e me sentir um tanto melhor.
Já tentei ser poeta.
Já tentei ser atleta.
Não consegui.
Já escrevi uma música,
já pensei em fazer um filme —
e sigo assim, em cena,
não como protagonista,
mas como quem observa
a própria vida acontecer,
tentando entender
se ainda há espaço para permanecer
e não passar despercebido.

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