Roleta
Viajo, viajo longe. Viajo quando vejo os últimos raios de sol refletindo no céu. Um céu que, mesmo quando o sol se põe, ainda não se revela por completo, mas eu o admiro do mesmo jeito.
Viajo quando vejo as folhas balançando com o vento, esse suspiro leve, silencioso, quase imperceptível. Tudo isso me leva para um lugar que eu gostaria de estar.
Me vejo no alto, sentindo no rosto o sopro do vento, o calor dos últimos raios de sol me envolvendo, e aquele arrebol se despedindo de forma espetacular.
Viajo também sentado na mesa de um bar, observando as pessoas, os assuntos que passam de uma mesa para outra. Cada um que atravessa a roleta, cada um que chega, cada um que sai, me faz pensar sobre a vida de cada um, por si.
Olho para a minha vida que, embora conturbada, é também uma vida de paz. Eu já encontrei essa paz, e ela me envolve. Ela me encontra quando acordo e quando me perco em pensamentos.
Nesse processo, há turbulências, momentos de dor e também de alegria. Mas no fim eu olho tudo e penso que tem valido a pena cada dia em que acordo.
A dor, embora pesada, é inevitável. E a luta, no fundo, é crescer. E crescer é o que eu almejo hoje: ser maior que ontem, melhor que antes, sempre em desenvolvimento.
Até que o dia se acabe e eu já não me encontre nele. Que eu me encontre apenas nos escombros, na terra vermelha e silenciosa onde todos chegaremos, porque isso é inevitável.
Quando penso na morte, penso na vida. E quando penso na vida, penso no agora. Porque agora eu estou vivendo, e é isso que eu quero compartilhar.
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