Riquezas
Tenho muito orgulho das coisas que conquistei. Não falo de riquezas, nem do acúmulo de bens, dessas coisas que o mundo costuma considerar tão importantes.
O que hoje me alegra é saber que, quando me deito na cama em uma noite fria de inverno, ela me acolhe. O edredom me envolve e eu já não sinto o frio de antes. O vento que atravessava as frestas do telhado e entrava pelas janelas cheias de buracos já não corta o quarto nem o corpo. Minha casa, por mais simples que seja, me protege. A noite deixou de ser tão cruel.
Outra coisa que enche meu coração de alegria é perceber que pessoas que fizeram parte da minha vida também não carregam mais essa mesma dor. Houve um tempo em que o prato era vazio e a lágrima, mesmo silenciosa, insistia em cair. Hoje vejo muitos daqueles que caminharam ao meu lado vivendo uma realidade diferente. Já não passam fome, já não sofrem com o frio. Encontraram abrigo, dignidade e um pouco mais de paz.
É claro que ainda há muito a melhorar. Ainda existem dores que precisam ser enfrentadas. Mas, quando olho para o passado, percebo o quanto o presente nos surpreendeu. E essa constatação, por si só, já é motivo para agradecer e seguir acreditando que dias melhores continuam sendo possíveis.
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