Contrariado
Até quando se esconderás de mim?
Até quando te esquecerás de mim?
É tão difícil compreender as barreiras entre nossos corações.
Perceber a distância que nos separa, mesmo quando estamos tão próximos.
Até quando terei que sorrir com tanta vontade de sair e correr,
seguir em fuga,
correr sem destino fixo.
Eu que tento ser igual,
me identifico com a tristeza
em resistir a estar tão próximo.
Sou acolhido,
sou percebido,
sou aquecido e, mesmo assim,
eu sinto frio.
Agora que a paz chegou,
eu quero a noite,
evito o dia,
não sinto o sol.
Esse desejo de não querer
estar por perto,
me esconder,
faz-me aproximar das tantas cidades que sempre quis evitar.
E estar sozinho não é escolha.
É o que sobra depois que tudo se rompeu
e o desejo de permanecer
se encontra escasso.
Não vejo o rastro, nem mesmo o pó,
de cada passo que foi deixado,
sem ter um outro caminho ao lado
do oposto rumo que se traçou.
E que evito para não contradizer
aquilo que quis contrariar.
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