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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Resíduo

Sobrou eu, como resíduo. Sobrou apenas eu. Converso comigo. Falo do passado, do futuro do passado. Falo de pessoas e também de expectativas. Hoje, porém, minha expectativa se arrasta, limitada, quase sem fôlego. E, ainda assim, há o que dizer. Porque, enquanto existimos, existe em nós algo que tenta fugir. Eu sempre fugi. E agora estou aqui. Uma fuga só minha, invisível aos olhos de todos. Ao meu redor, pensam que sabem quem eu sou. Não sabem. Não conhecem minha realidade. Nem mesmo eu sei exatamente quem sou. Mas sei que sou alguém. E que, mesmo em resto, mesmo em silêncio, há em mim algum valor.

Conveniencia

Se você sofrer um acidente na rua, nem me conte. Se quer ser inconveniente, seja longe de mim. Hoje é dia de chuva, depois de um calor insuportável. Então não me atormente. Não seja intolerável. Minha paciência do ano se esgotou. Eu saí para me divertir, não para sorrir forçado. Meu coração não é de aço. Então, em poucas palavras, me entenda: você não se encontra na minha página de amigos. Não me toque. Se toque e me deixe em paz. Quero ser conveniência, mas é impossível manter coerência e ser polidamente educado quando tudo o que sinto é limite.

dezesseis graus

Em algum momento da minha vida adulta, acreditei que abandonaria certos velhos hábitos. Mas ainda me vejo repetindo os mesmos erros, acreditando em verdades tolas, já desmentidas pelo tempo, que, quando retornam, voltam cheias de ilusão, disfarçadas de novas possibilidades. Mesmo desconfiado, com o pé atrás, reconhecendo a origem da notícia, sou cercado por dúvidas que não alertam: apenas seduzem. Dúvidas blindadas, vendadas com um toque de esperança, capazes de transformar cautela em hesitação. Sei que a armadilha está pronta, sei que sempre esteve. O inevitável não avisa, apenas espera. E ainda assim, o desejo de ser surpreendido me faz vacilar, faz com que eu aceite que velhas mentiras possam, desta vez, ser verdade. Não por acreditar nelas, mas porque resistir também cansa.

Um papo com Laura

Para quem nem acreditava que chegaria até aqui, a vida surpreendeu. Estar presente neste momento é conquista, é prova de superação, é mais do que viver: é vencer diariamente. Que sigamos com coragem, desejo, esperança e fé, sendo todos os dias conquistadores da nossa própria história. Esta é uma mensagem coletiva, mas cheia de amor, gratidão e verdade. Obrigado por cada palavra… você sabe o quanto tudo isso me atravessa. Nem sempre eu me sinto forte, nem sempre me sinto vencedor, mas ler o jeito como você me vê me dá um acolhimento enorme. Você é um vencedor, sempre. Por ser um homem com conquistas, com amores, com provocações, com grandes batalhas, pequenas guerras, grandes renovações e pequenos recuos — necessários para uma volta plena e definitiva. Você é como todo ser humano que tem um ideal e um significado justo e coerente. Sempre é uma fênix, que ressurge das cinzas para brilhar e voar livre. Voe livre, meu amigo, para contar seus contos, aumentar um ponto e dar brilho à vida da...

Laurinha

Você é um vencedor, sempre. Por ser um homem com conquistas, com amores, com provocações, com grandes batalhas, pequenas guerras, grandes renovações e pequenos recuos — necessários para uma volta plena e definitiva. Você é como todo ser humano que tem um ideal e um significado justo e coerente. Sempre é uma fênix, que ressurge das cinzas para brilhar e voar livre. Voe livre, meu amigo, para contar seus contos, aumentar um ponto e dar brilho à vida das pessoas que convivem com você. Te amo muito!

Natal

Um Natal diverso, cheio de compreensão, tolerância e amor genuíno. Sem preconceito — apenas amor. Que seja um tempo de verdade e acolhimento: acolhimento das diferenças, das semelhanças, das concordâncias e também das discordâncias. Que entendamos que, sozinhos, não somos nada; mas, juntos, somos muitos — e assim podemos alcançar objetivos maiores e mais humanos. Que os desejos do nosso coração sejam bons, e que o próximo esteja incluído em nossos planos, que tantas vezes são limitados e segregacionistas. Que possamos mudar isso. Que sejamos união. Nossa classe precisa aprender a caminhar lado a lado, nunca separados.

Favelados

Favelados, se formos somar, talvez estejamos caminhando para quase vinte anos de amizade e amor verdadeiro. Isso é de uma grandeza imensa. Manter, mesmo diante de tantas distâncias, esse respeito, essa amizade, esse carinho e esse amor é algo que valorizo profundamente. Guardo muitas memórias boas sobre tudo o que diz respeito a nós. Respeito nossas individualidades, nossos momentos de distanciamento e, sobretudo, a nossa conexão. O que existe em mim é um sentimento sincero: tudo é gratuito e cheio de amor genuíno. Mesmo que não nos vejamos com tanta frequência, vocês estão presentes na minha vida — nos pensamentos e nesse sentimento bonito chamado saudade. Amo cada um de uma forma única. Não é disputa nem comparação; é simplesmente o amor que cada um deixou em meu coração e que, de vez em quando, se agita entre lembranças adormecidas e transborda em recordações cheias de afeto. Feliz Natal. Feliz vida. Feliz amizade. Feliz continuidade.

Chuva

¿Qué haces acá? Este é sempre, sempre, o mesmo questionamento. Eu me vejo em esquinas, sempre, sempre em novas e conhecidas esquinas. Esquinas da vida, a curva da enxurrada, onde somente se enroscam os destroços. Eu sempre me vejo içado. E não me reconheço como o tal. Mas permaneço. Mesmo sem nome, sem identidade, fico na esquina. Se não sei quem sou, sei ao menos que não fui levado pela enxurrada. Permaneço a esperar, onde esse dilúvio me empurrará. Se é que a chuva um dia irá chegar.

Golias

Ouvi um som diferente do habitual, não era cachorro, nem era gato. Talvez um gafanhoto, que as asas tentou levantar. Ou talvez uma ida ao banheiro que, no meu estridente silêncio, fez-se despertar. Na camada da noite, cada silêncio é um movimento que chama atenção, mesmo com os dedos se descoordenando pelo chão para ruído não fazer. E eu incluo o garfo, o ruído do pão torrado, e da discreta mordida que não pode deixar dentes bater. Pois seu ranger pode acordar o Golias.

Mielina

Foi uma experiência antropológica. Falar sobre pessoas, das pessoas, dos próximos, de todos os que se encontram distantes. Pois não se fala mal de quem perto está. Dos mortos, sim, fala-se… Álcool, nicotina, ayahuasca, Mariana… Bainhas de menina, pessoas amielinizadas, sem sinapse. Não se encaixa, peça solta. Onde estaríamos se não estivéssemos aqui? Se o agora é ali, pois éramos — não estamos mais. Nunca fizemos igual, mesmo depois de anos de compreensão. Se eu acredito ou não, talvez seja apenas uma invenção que se tornou repetitiva informação, e que eu ouso não compreender

Novo

Decidi que deixarei tudo para trás., Pelo menos hoje, Decidi que deixarei tudo para trás, Pelo menos hoje, Que não vejo nada à minha frente. O que ficou no passado Já nem me lembro mais, Nem insisto em tentar relembrar. Não sei o que encontrarei, Quais memórias reconstruirei. Dependendo da emoção, será tragédia, Será satisfação. Melhor não descobrir, Ficar aberto às possibilidades De construir algo novo.

Saudades à parte

Quero expressar meus sentimentos, explorar meus pensamentos, ver se há algo que valha a pena compartilhar. Vou arriscar a sorte. Não vou falar sobre a morte nem sobre a tão penosa saudade. O que é uma pena não ser citada, pois é ela que me inspira a falar sobre saudades… Saudades à parte. Vamos falar de solidão, de abandono, de tristezas que somente nós reconhecemos. Nós as escondemos, mas nem sempre disfarçamos. No mês das luzes, muitas luzes se apagam. Desertos são revelados, continentes soterrados. Pois o brilho da hipocrisia é fascista: impulsiona o cativo a acreditar que sua prisão é liberdade. E não sabemos mais o que fazer com essa verdade, sempre chamada de liberdade, mas carregada de enganação.