Resíduo
Sobrou eu, como resíduo. Sobrou apenas eu. Converso comigo. Falo do passado, do futuro do passado. Falo de pessoas e também de expectativas. Hoje, porém, minha expectativa se arrasta, limitada, quase sem fôlego. E, ainda assim, há o que dizer. Porque, enquanto existimos, existe em nós algo que tenta fugir. Eu sempre fugi. E agora estou aqui. Uma fuga só minha, invisível aos olhos de todos. Ao meu redor, pensam que sabem quem eu sou. Não sabem. Não conhecem minha realidade. Nem mesmo eu sei exatamente quem sou. Mas sei que sou alguém. E que, mesmo em resto, mesmo em silêncio, há em mim algum valor.