Continuação

Continuando essa reflexão, fora o jardim, eu percebo que outras coisas também foram perdendo a cor aos poucos.
Eu sempre gostei de cuidar da minha casa.
Nunca fui uma pessoa organizada, mas gostava de estar no lugar que eu planejei, no espaço que era meu.
Hoje… nada me satisfaz.
Eu olho para os cômodos e todos me incomodam.
A disposição dos móveis já não me agrada, nada parece certo, nada parece ter lugar.
E, mesmo assim, eu não mudo.
A louça se acumula e eu não lavo.
A roupa fica e eu não cuido.
As coisas vão se espalhando pela casa, pelo chão… e eu deixo.
Todo dia eu olho e penso:
“Eu preciso arrumar. Hoje eu vou arrumar.”
Mas sempre fica para depois.
Não é falta de tempo.
É falta de vontade.
É falta de coragem.
E assim vai ficando.
Eu passo pelos espaços, vejo o que está fora do lugar,
vejo até o pequeno grão esquecido no chão…
e não varro.
Como se até o gesto mais simples tivesse se tornado grande demais para mim.

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