Esquerdo
O que dizer desse dia
que deveria ser uma razão de alegria?
Não teve a emoção desejada.
Na verdade, não teve nada,
além da rotina já esperada.
Sem encontros.
Ao contrário dos outros,
não houve festa.
Houve o silêncio solitário,
conhecido, quase previsto.
Desejado?
Nunca desejamos passar só,
o dia de comemorar.
Houve um toque contratado,
monetizado,
que agregou um certo tipo de valor.
Não apenas ao que foi pago,
mas a sensação de conforto,
em um toque
que precisou ser comprado.
Deixei pistas.
Não foram vistas.
Ninguém está atento
àquilo que a gente deseja que seja notado.
E a gente fica igual criança,
tentando renovar a esperança
nas poucas mensagens,
nos poucos que ainda tentam
demonstrar uma pequena porção de carinho.
Mas eu não anuncio o acontecimento.
Talvez tenha chegado o momento
de me conformar
com aquilo que a vida tem para doar.
Eu dou o meu máximo,
tento fazer valer a pena.
Demonstro atenção,
a preocupação
que eu gostaria de receber.
Mas não somos todos iguais.
O que é importante para um,
para outros,
que se perdem na própria rotina,
permanece sem perceber.
Isso tudo nos prepara.
Nos ensina, aos poucos,
que não carregamos uma placa luminosa
escancarando a necessidade
de sermos notados.
E de não terminar o dia
com a sensação silenciosa
de ter sido esquecido.
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