Tempo e dor

Meu espírito padece
com uma lança fincada em seu âmago.

Meu coração inquieto se depara com disparos que me arrancam o fôlego, desidratam meu corpo em lágrimas que embebem o travesseiro, já incapaz de suportar todo o lamento que se repete, dia após dia.

O mesmo clamor.
O mesmo amargor
que tritura a alma
em incontáveis fatias.

Ninguém ouve
os gritos silenciosos.
Nada ampara.
O corpo ferido
não se cura.
A noite não compreende
aquilo que o dia gerou.

Seria tudo
apenas uma breve ilusão?

A força que o tempo exerce
é incapaz de curar?

Seria a dor
algo passageiro
que tarda a findar?

O que fazer
com as sobras acumuladas?

A resposta existe,
mas a decisão
não se apresenta.

Estagnado, permaneço
na convicção
de que tudo é passageiro.

Pois já superei
o insuperável,
que se tornou suportável
depois que tudo passou.

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