Uma volta a mais

Talvez seja apenas mais uma volta.
Talvez eu esteja no final de algo em que eu nem saiba qual foi o início.
Percebo que o meio disso tudo foi turbulento, foi desafiador e de alguma forma me fez forte e eu encontrei alguma forma de paz. Se é isso que eu posso nomear, já não sei.
Sei que percorri diversos caminhos, alguns deles repetidos. Teve vezes que até andei em círculos achando estar em um novo lugar. Porque as pedras que eu tropecei saíram do caminho. A grama que eu amassei murchou, então eu não reconheci aquela pegada. O vento apagou o pouco de rastro que sobrou. Aquela areia, depois de molhada, barro se tornou.

Se é que areia pode virar barro, se é que pó pode virar estrada, se é que caminhada pode ser chegada.

Talvez tudo seja uma simples ilusão. Talvez esse círculo traçado seja a única direção.

Pensamos escolher a rota, mas a rota já está traçada e nós não temos como optar pelo caminho que queremos andar. Porque o controle está presente em tudo e a liberdade é uma ilusão que é plantada dia após dia para cada vez que abrimos a visão.

Quando pensamos enxergar, mais cego nos encontramos. Quando pensamos que iremos encontrar, mais perdidos nos achamos.

Então o ontem e o agora não são opostos. São caminhos que se encontram e que nos faz imaginar que estamos tecendo uma nova rota, mas acabamos chegando sempre no mesmo lugar.

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