11
O 51 foi a senha que eu deixei.
Estava nas minhas mãos, mas eu não atravessei.
Era a minha vez, mas eu recuei.
Fiquei do lado de fora, olhando, pensando, desconfiando, tentando entender por que aquele lugar me chamava e por que, ao mesmo tempo, eu não tinha coragem de entrar.
O 51 ficou para trás.
Era meu, mas eu não quis.
Ou talvez quisesse, mas ainda não era a hora.
Depois veio o 11.
Não era o número que eu esperava.
Não era o número que eu havia deixado.
Era outro. Era novo. Era o que me foi dado.
E com ele eu entrei.
Curioso pensar que um número eu rejeitei, e o outro eu ganhei.
Talvez a vida seja assim.
Há coisas que chegam e nós não estamos prontos.
Há portas abertas que mesmo assim não atravessamos.
Há senhas que chamam o nosso nome, mas o medo fala mais alto.
E depois, quando já nem estamos pensando, quando a distração nos leva de volta, a vida nos entrega outro número, outra chance, outro momento.
O 51 foi a senha que eu deixei.
O 11 foi a senha que eu aceitei.
Uma ficou para trás.
A outra me levou para dentro.
E até hoje eu não sei se os números tinham algum significado.
Mas sei que naquele dia, o que eu rejeitei foi o medo.
E o que eu ganhei foi coragem.
Comentários
Postar um comentário