Chave
Refleti sobre o amor que senti e não pude viver.
Talvez eu também tenha sido amado. Mas quem estava ao meu lado temeu. E, por temer demais, afastou-se de mim, sem coragem de admitir que havia, entre nós, uma forma de amor.
Eu amei intensamente. Gritei, tentei, procurei expressar tudo o que sentia. Mas o tempo, os preconceitos e o medo nos separaram.
Sofri, não por amor, mas pela falta dele.
Então fugi para dentro de mim. Escondi aquilo que antes transbordava. Preferi o silêncio à possibilidade de me ferir outra vez.
Morri por alguns dias, mas sobrevivi. Sobrevivi tentando reencontrar a alegria que, hoje, parece se afastar de mim.
Porque talvez se ame apenas uma vez com aquela intensidade, com aquela esperança, com aquela delicadeza que só o primeiro amor conhece.
E esse primeiro e verdadeiro amor quase nunca retorna. Não porque deixe de existir, mas porque, quando não é acolhido, fechamos a porta do coração. E, depois de tanto tempo, já nem sabemos onde deixamos a chave.
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