Aquele amor
Acho muito interessante a forma com a qual nós recontamos as nossas histórias para nós mesmos. Como nós temos a capacidade de ressignificar tudo o que nos aconteceu. A história é apenas um passado, já não existe. O que nós temos em nossa mente são fragmentos do que importou, do que nos marcou. E recontar a história de uma maneira positiva é algo muito importante: ressignificar aquilo.
Tenho histórias de amor que foram repletas de dor, mas que, se eu olhar novamente para elas, eu só vejo o que sobrou. E o que sobrou foi o que mais importou: o amor. Eu ressignifiquei cada uma dessas memórias, dessas lembranças.
Na minha vida toda, posso dizer que amei duas vezes e que continuo amando da mesma maneira. Cada uma delas na sua importância, cada uma delas na sua intensidade e cada uma delas com algo que acrescentou de grande em minha vida.
Por isso, quando me perguntam: “Você ainda ama este ou aquele?”, eu sempre digo que sim.
“Mas por que você não superou? Você não esqueceu?”
Não. Pelo contrário, porque eu amei. E amor é algo tão raro de se encontrar que ele tem que ser preservado de qualquer maneira.
Aquele amor, naquela época, tinha uma dimensão e um significado. Hoje, ele existe ressignificado, de uma maneira calma, tranquila, de uma forma de contemplar que apenas traga satisfação e paz.
Por isso, quando perguntam: “Você ainda ama?”
Amo.
Amo aquele momento, amo aquela história, amo o que aquilo significou para mim.
É um amor que não cabe mais na atualidade, mas que está presente, trazendo conforto, carinho, porque foi algo que trouxe vida e ainda é vivo, e que carrego aqui dentro de mim.
Bela inspiração
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