Maria

Eu tenho tanta vontade de chegar até eles e gritar:
“Pessoal, conheçam a verdade. Sejam libertos. Saiam dessa prisão.”
Mas eu já fui preso.
Eu já fui alguém que acreditou.
Eu compreendo a ignorância de cada um deles.
E é tão triste saber que toda essa ilusão lhes dá a sensação de possuir uma verdade absoluta.
Só que, quando você rasga o véu e percebe que o caminho — que dizem ser a verdade e a vida — não é um simples pastoreio, mas algo além desse rebanho envolto em certezas prontas, entende que talvez o melhor seja ser revolto. Construir uma nova perspectiva, uma nova imagem, uma nova vida. Não ser mais conduzido como Maria, aquela que segue as outras sem questionar.
Eu já fui criança.
Já fui levado, conduzido e empurrado.
Lembro-me de quando a professora perguntava, ao ouvir alguém dizer “falaram”:
— Quem falou?
E ninguém sabia responder.
Hoje, muitos não sabem quem falou.
Apenas acreditam naquela voz sem origem, sem rosto, sem condutor claro — e seguem sendo conduzidos, muitas vezes em direção ao abismo.
Como Maria.
A Maria que foi atrás das outras.
E hoje eu talvez seja uma Maria solitária,
que já não quer seguir o rebanho,
mas ainda não sabe exatamente qual caminho escolher.

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