Definição

Às vezes acho que sou uma pessoa presa demais ao passado.
Tenho dificuldade de deixar certas lembranças irem embora. Enquanto muita gente consegue seguir em frente sem olhar para trás, eu ainda fico revisitando ruas, rostos, vozes e situações que talvez só existam mais dentro de mim do que no mundo real. Carrego amizades antigas como se ainda fossem parte dos meus dias, mesmo sabendo que o tempo mudou tudo para todos nós.
Sou sentimental demais. Coisas simples me atravessam de um jeito que às vezes nem consigo explicar. Uma música, uma estrada de terra, o cheiro de chuva, uma estrela no céu… tudo pode virar memória, saudade ou reflexão. Isso me ajuda a escrever, mas também me cansa. Minha cabeça raramente silencia.
Também reconheço que sou repetitivo. Volto aos mesmos assuntos, às mesmas dores e às mesmas lembranças como alguém tentando encontrar uma resposta que talvez nem exista. Muitas vezes escrevo mais para aliviar o peito do que para produzir algo bonito. Nem sempre consigo separar emoção de razão.
Tenho certa dificuldade em aceitar mudanças. Pessoas se afastam, a vida segue, os lugares mudam, mas uma parte de mim ainda tenta conservar as coisas como eram. Talvez por isso eu valorize tanto as histórias da infância e das pessoas que fizeram parte dela. Tenho medo de esquecer e, de certa forma, medo de ser esquecido também.
Ao mesmo tempo, sei que tenho um olhar que muita gente perdeu. Consigo enxergar importância nas pequenas coisas. Onde muitos veriam apenas um terreno vazio ou uma brincadeira simples, eu vejo pedaços inteiros de vida. Acho que minha escrita nasce disso: da tentativa de dar valor ao que parecia comum.
Sou alguém que sente muito, pensa demais e guarda quase tudo. Isso já me feriu em muitos momentos, mas também é o que me torna quem sou.

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