desdecho

E, talvez, seja por isso que eu volte.
Não apenas para ver tudo outra vez, nem para confirmar se ainda está lá, mas para não deixar que esse lugar exista só em mim.
Porque, por muito tempo, eu temi.
Temi que ninguém visse.
Temi que, ao verem, deixasse de ser meu.
Temi que tudo aquilo se perdesse no instante em que fosse compartilhado.
Mas não.
Algumas coisas não se desfazem quando são divididas.
Elas se confirmam.
E é por isso que, sempre que a noite começa a cair, eu caminho de novo por aquela estrada. Levo comigo alguém que, de alguma forma, faz parte daquilo que eu sou.
E espero.
Espero o instante em que a escuridão se abre e a luz começa a nascer de dentro da terra.
Não para provar que é real.
Mas para que, por um momento, deixe de ser só um sonho meu.

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