outeos encontros

Assim que a escuridão caía sobre o chão, a luz acesa na janela da casa se tornava pequena. Quase insignificante diante do que surgia lá fora.
Porque a noite não era apenas noite.
Era uma noite acesa. Uma noite com sol.
Os arbustos despertavam em fogo que não queimava, não consumia, apenas existia para iluminar. Como se sopros de dragões passassem por entre eles, espalhando vida em forma de luz. Nuvens de vagalumes se formavam no ar, misturadas a cores que lembravam néon, mas sem origem, sem fonte, sem explicação.
E eu estava ali.
Levando outros comigo.
Pessoas que eu amava, pessoas que eu queria que vissem, que acreditassem, que sentissem. Porque aquilo, que por tanto tempo foi só meu, começava a se abrir.
E, ainda assim, não deixava de ser estranho.
Era como espalhar um fogo que não queima. Como oferecer um sol que não aquece. Como atravessar uma noite que se transforma em dia sem pedir licença.
E, naquele instante, todos nós éramos alcançados por essa luz.
Não para entender.
Mas para sentir.

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