Sobreviver

Solitário sou
No meio da multidão insana.
Sou uma brasa se apagando,
Tentando resistir ao forte inverno.
Eu sorrio com vontade de gritar.
Compadeço-me das mais tristes histórias,
Nas quais ainda me atrevo a acreditar.
Procuro o silêncio,
Encontro apenas o caos,
Que tem me cercado de perto,
Roubando todo o ar
Que já não se contenta em me sustentar.
Deixo o orgulho de lado
Para gargalhar das adversidades,
Pois, na minha mais íntima verdade,
Era outra realidade que eu gostaria de enfrentar.
Quando a soma não agrega,
Divide
E não acrescenta o que necessito neste momento.
Resta-me entrar na dança
Dessa música que não segue meus passos.
Apenas deslizo pelo salão
Para não tropeçar
E deixar a vida acontecer.
E, dessa forma, sobreviver um dia a mais
Neste lugar onde me encostei,
Com vontade de deixar
Para lá,
Para trás.
E, de alguma forma,
Sobreviver.

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