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Gestão

Fui sequestrado. Ninguém sentiu minha falta, ninguém me procurou, muito menos me encontrou. Um sequestro silencioso que aos poucos me consome, que me lança no vazio daqueles que jamais perceberam meu passo. Já não me vejo em nenhum lugar. Tudo se apagou a ponto de eu mesmo desaparecer. E quando busco em mim algum traço, algum sinal - só encontro o eco de uma ausência que nem a mim  convence.

Litoral

Eu ouço a voz do vento, cada sussurro seu me desperta. Sei que falar de saudades não é mais novidade, mas eu a sinto — mesmo distante — como o horizonte que me guiava. Nos guiava, naquela direção. Dentro de mim há você. Somos dois, éramos nós, que talvez o tempo tenha desviado. Coincidência, ou acaso, beijos na areia, erros do descaso. E eu vejo  na folha, na relva, e no ar. E me entrego àquela tola solidão, que já era passado, mas agora é ocasião, cheia de oportunidades, cheia de pretensão. E eu fiquei bem, eu estou bem. Espero que você também esteja, pois lhe quero muito bem.

Jogo

A gente tem que se encontrar, mais perdido do que me encontro, já não há como ficar. Eu permaneço, sempre naquele mesmo lugar que escolhi, e não consigo escapar. Já escalei, até buraco cavei, mas não tive chance de me esquivar. Estou aqui. não reconheço este lugar. Estou cercado, rodeado e confuso. atordoado com toda essa agitação que não aquece os meus sentidos, não refrigera a sola dos meus pés - que vivem quentes, adormecidos, cheios de calos pelos caminhos que nem foram percorridos. Pois o desejado, sem ação, permanece parado. obsoleto, envolto em desejos que nunca se concretizarão. Pois a solidão, no meio do povo, é uma longa estação que não se finda, para dar margem a outras possibilidades. E eu me cansei.