Nunca fui livre, sempre fui lançado em inúmeras prisões, algumas delas adentrei de maneira voluntária, e essas foram as mais difíceis de sair. Sempre deixado de lado, sempre a última escolha, o motivo do riso, a inspiração para o deboche. De cabeça sempre baixa, olhos fitados ao chão, com o corpo sendo doado em busca de compaixão. Longo e difícil caminho. Disso tudo, pouco me acompanha, embora ainda tenha força, pouco interfere nas minhas escolhas. Talvez tenha se convertido em força toda aquela tristeza, todo aquele abandono. Hoje já não pesa na alma. Aprendi a ser só e a estar bem em minha própria companhia. A solidão já não dói nem assusta. A noite, por mais escura que esteja, não causa espanto, nem consome esperanças. Tudo se tornou uma vaga lembrança que, às vezes, insiste em se apresentar, mas acaba sendo deixada de lado.
Não éramos muito de nos abraçar, demonstrar afeto, embora houvesse amor — era algo silencioso... Sempre houve amor... Demorei para perceber isso. Construí uma couraça para me proteger, fingindo que nada disso era necessário. Talvez todos nós tenhamos feito isso: fingir que o amor não era esperado e que demonstrar carinho fosse um sinal de fraqueza. Mas a vida passa e nos orienta, nos faz perceber o quanto tudo isso é indispensável, e que, às vezes, é tarde para reconhecer o valor — ainda mais quando isso já não está ao nosso alcance. E o silêncio que antes nos protegia se torna, no fim, o que mais nos machuca.
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