Pertencimento

Sempre me considerei uma pessoa muito solitária.

Já tive alguns amores. Muitos amigos. Já estive rodeado de pessoas. Hoje, porém, minha vida praticamente se resume aos colegas de trabalho e a algumas companhias dos happy hours no bar da cerveja. Um hábito que, aos poucos, tornou-se um vício, um círculo vicioso que não me leva a lugar algum.

Sempre fui muito distante da minha mãe. Ainda assim, saber que ela existia e que, mesmo de longe, se preocupava comigo, era suficiente para me dar uma silenciosa sensação de pertencimento. Era como se, em algum lugar do mundo, houvesse alguém para quem eu sempre seria importante.

Hoje, ao vê-la perder, pouco a pouco, a capacidade de lembrar quem ela é e de reconhecer quem eu sou, sinto que esse lugar dentro de mim também está desaparecendo.

A vida parece ter se transformado em um vazio imenso. Às vezes, tenho a impressão de que não sou ninguém para ninguém. Que existo apenas para mim mesmo, envolvido por esse profundo sentimento de não pertencimento.

Talvez a maior solidão não seja a falta de pessoas ao redor, mas a perda da certeza de que existe alguém que nos reconhece, que guarda a nossa história e que, de alguma forma, nos lembra quem somos.

É esse vazio que hoje me atravessa e me entristece profundamente.

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